Uma organização médica-humanitária internacional e independente
Médecins Sans Frontières (MSF) traduz-se como 'médicos sem fronteiras'. Providenciamos assistência médica a pessoas afetadas por conflitos, epidemias, desastres ou exclusão no acesso a cuidados de saúde. As nossas equipas são formadas por dezenas de milhares de profissionais que trabalham nas áreas da saúde e cuidados médicos, de logística, administrativa, comunicações, atividades qualificadas – todas unidas pela nossa Carta de Princípios e em serviço de pessoas necessitadas. As nossas ações são guiadas pela ética médica e pelos princípios de imparcialidade, independência e neutralidade. Somos uma organização sem fins lucrativos, autogovernada e que tem por base os membros que a integram.
A MSF foi fundada em 1971 em Paris por um grupo de jornalistas e médicos. Atualmente, somos um movimento mundial de mais de 69.000 pessoas.

Um promotor de saúde da MSF acompanha uma mulher deslocada até a clínica da MSF no campo de trânsito de Adré. Chade, julho de 2024.
A Carta de Princípios da MSF
A associação é composta maioritariamente por profissionais médicos e trabalhadores do setor da saúde, e está aberta também a todas as outras profissões que possam ajudar a alcançar os objetivos definidos.
Todos os membros da MSF concordam em honrar os seguintes princípios:
A Médicos Sem Fronteiras providencia assistência a populações em sofrimento, a vítimas de catástrofes naturais ou de causa humana e a vítimas de conflitos armados. Fá-lo independentemente da raça, religião, crenças ou convicções políticas.
A Médicos Sem Fronteiras cumpre os princípios de neutralidade e imparcialidade em nome da ética médica universal e do direito a assistência humanitária, e reivindica liberdade plena e irrestrita no exercício das atividades que desempenha.
Os membros da MSF assumem o compromisso de respeitar o código deontológico profissional a que estão adstritos e de manter total independência de todos os poderes políticos, económicos ou religiosos.
Voluntariamente, os membros da MSF compreendem os riscos e os perigos das missões que realizam e não reivindicam para si mesmos ou seus cessionários qualquer forma de compensação que não seja aquela que a associação possa ser capaz de lhes pagar.
Em complemento à Carta, dois documentos fundamentais definem as nossas formas de trabalhar e princípios orientadores, aprofundando os conceitos de proximidade aos pacientes, cuidados médicos de qualidade e témoignage – ou prestação de testemunho (documentos em inglês).

As nossas ações são guiadas pela ética médica
As atividades da MSF são, em primeiro lugar, médicas. O nosso objetivo orientador é prestar a melhor qualidade de cuidados possível – onde quer que trabalhemos – e agir sempre no melhor interesse dos pacientes: respeitar a confidencialidade deles, o direito que têm de tomar as próprias decisões e, acima de tudo, não lhes causar danos. Quando a assistência médica por si só não é suficiente, podemos providenciar abrigos, água e saneamento, alimentação ou outros serviços.
Princípios de trabalho


Ajudamos as pessoas com base nas necessidades existentes. Não importa de onde são, em que acreditam ou que afiliações políticas têm. Damos prioridade a quem está em perigo grave e imediato.


A nossa decisão de prestar assistência baseia-se na nossa avaliação das necessidades médicas, independentemente de interesses políticos, económicos ou religiosos. A nossa independência está enraizada no nosso financiamento; 98 por cento dos nossos fundos provêm de doadores privados que doam pequenas quantias. Esforçamo-nos por avaliar livremente as necessidades, ter acesso às comunidades sem restrições e prestar diretamente a ajuda que providenciamos.


Não tomamos partido em conflitos armados, nem apoiamos objetivos de partes beligerantes. Por vezes não estamos presentes em todos os lados em que ocorre um conflito; isto pode acontecer porque o acesso nos é negado, ou devido a insegurança, ou porque as principais necessidades de um grupo de pessoas já estão cobertas.


“Não temos a certeza de que as palavras possam sempre salvar vidas, mas sabemos que o silêncio pode certamente matar.” No discurso de aceitação do prémio Nobel da Paz, o então Presidente da MSF, Dr. James Orbinski, delineou o nosso princípio de falar publicamente quando queremos trazer à vista uma crise “esquecida” ou quando vemos coisas a acontecer que prejudicam quem estamos a tentar ajudar. Isto pode significar criticar governos, empresas ou outras organizações que estejam a perpetuar abusos ou a levar a cabo políticas danosas.
Atualidades (Site da MSF Portugal)

Esforçamo-nos por ser o mais abertos e transparentes possível no que diz respeito ao trabalho que fazemos e ao dinheiro que gastamos. Refletimos continuamente sobre os nossos sucessos e fracassos para garantir que a eficácia, a qualidade e a eficiência dos cuidados que prestamos estão sempre a melhorar. Responsabilizamo-nos a nós mesmos publicamente pelo nosso trabalho e pelas nossas insuficiências, e em sermos claros sobre os desafios que enfrentamos.
MSF Transparência e autorresponsabilização (em inglês)Somos um movimento global, com profissionais de mais de 160 países


A nossa força está nas nossas equipas, desde o pessoal de saúde, ao pessoal de logística e administrativo. Em 2023, empregámos 55.000 trabalhadores das áreas onde desenvolvemos projetos, e outros partiram para países diferentes.


Não acreditamos que países com recursos limitados devam ter serviços médicos abaixo dos padrões. Esforçamo-nos para providenciar cuidados de elevada qualidade aos pacientes e advogamos por medicamentos acessíveis e de alta qualidade.


Contamos com o generoso apoio de mais de 7,3 milhões de doadores individuais em todo o mundo. Noventa e oito por cento dos nossos fundos provêm de doações privadas, o que nos permite agir com rapidez para salvar vidas.
Compromisso assumido com uma maior diversidade, equidade e inclusão
Com mais de 69.000 membros no nosso pessoal, de 169 nacionalidades e a trabalhar em mais de 70 países em todo o mundo, reconhecemos a importância de a diversidade, a equidade e a inclusão estarem indissociavelmente ligadas ao sucesso do nosso mandato médico-humanitário. Estamos a fazer mudanças na MSF para melhor refletir esta incrível diversidade e construir uma força de trabalho global, lançando desafios às estruturas operacionais, criando mais oportunidades para o pessoal contratado nos locais onde desenvolvemos projetos, reavaliando as políticas de remuneração e de benefícios, e muito mais.
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A nossa história

The MSF movement
A fundação da MSF
De um grupo de médicos para um movimento internacional: como é que o movimento MSF se desenvolveu há mais de 50 anos? Conheça como a MSF foi criada e os principais capítulos da nossa história no filme animado “Era uma vez o Movimento MSF” (em inglês).
A Médicos Sem Fronteiras (MSF) foi fundada em dezembro de 1971 em França por um grupo de médicos e jornalistas, na esteira da guerra e da fome no Biafra, na Nigéria. O propósito era estabelecer uma organização independente que se concentrasse na prestação de ajuda médica de emergência de forma rápida, eficaz e imparcial.
Trezentos voluntários compunham a organização quando esta foi fundada: profissionais médicos, de enfermagem, e outro pessoal, incluindo os 13 médicos e jornalistas fundadores.
A MSF foi criada com a convicção de que todas as pessoas devem ter acesso a cuidados de saúde, independentemente do género, raça, religião, crenças ou filiação política, e de que as necessidades médicas das pessoas se sobrepõem ao respeito pelas fronteiras nacionais. Os princípios de ação da MSF estão descritos na nossa Carta, que estabeleceu um enquadramento para as nossas atividades.
- Dr Jacques Beres
- Philippe Bernier
- Raymond Borel
- Dr Jean Cabrol
- Dr Marcel Delcourt
- Dr Xavier Emmanuelli
- Dr Pascal Greletty-Bosviel
- Gérard Illiouz
- Dr Bernard Kouchner
- Dr Gérard Pigeon
- Vladan Radoman
- Dr Max Recamier
- Dr Jean-Michel Wild